| O governo da prefeitura de Porto Alegre (RS) desenvolveu no começo da década de 90, o projeto de “Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos”, do qual fazia parte a Coleta Seletiva, cujo propósito era atuar junto às causas dos problemas do lixo e não apenas em relação às suas conseqüências, posto que o lixo domiciliar teria de ser classificado em “orgânico” e “seco” na sua origem. Desde a perspectiva da instituição, tal proposta não se encerrava em si mesma, mas devia ser entendida como um “mediador num processo amplo e profundo de educação ambiental”. Também fazia parte do gerenciamento integrado o projeto das Unidades de Triagem (inicialmente chamadas de Unidades de Reciclagem). Esse consistia na organização de pessoas que antes catavam nos lixões a céu aberto — os quais foram transformados em aterros sanitários onde se tornou proibida a catação — formando grupos auto gestionários que trabalhavam especificamente com a triagem manual do lixo seco proveniente da coleta seletiva. Assim, tomando como base os dados coletados através de pesquisa etnográfica (realizada entre janeiro e junho de 2007), o objetivo deste trabalho consiste em tecer algumas relações entre o conjunto habitacional Santa Terezinha, cuja maioria dos moradores trabalha com a coleta e/ou triagem de materiais recicláveis, e essa visão “ambientalizadora” da prefeitura sobre o lixo. |