Resumo

Este trabalho pretende apresentar as questões ambientais que se revelaram em Caravelas no Extremo Sul da Bahia, por ocasião de um ordenamento territorial para um complexo estuarino. Há duas propostas em disputa no município: a de uma Reserva Extrativista; e outra, um mega-projeto de carcinicultura. A área de ambos os empreendimentos se sobrepõem inviabilizando a realização concomitante dos dois projetos. Neste cenário, diferentes agentes locais envidaram esforços para a mobilização da comunidade para adesão de uma ou outra proposta. Este trabalho avalia o esforço dos agentes nesse processo, que culmina numa disputa pelas “verdades” dos lados que se opunham. Estes diferentes agentes, que incluem desde o poder público municipal, ONGs de cunho ambientalista, Ibama (hoje Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), pescadores e até comerciantes locais, se dispuseram a contribuir na mobilização comunitária que se edificou e se compôs em oposição: a cada ação direcionada, impunha uma atuação em resposta do outro grupo polarizado, constituindo uma dinâmica complexa de ações reativas. Esta disputa avançou e ampliou-se envolvendo outros agentes tais como o Senado Federal, O governo do Estado da Bahia, do Espírito Santo, o Ministério Público Estadual e Federal, a mídia local e de outros estados.