Resumo

Conflitos denominados ambientais têm atingido diretamente as comunidades de pescadores no litoral brasileiro. A preservação ambiental tornou-se um dos temas centrais na contemporaneidade. Concomitantemente, assistimos a emergência de políticas públicas destinadas a garantir a reprodução social e econômica de populações tradicionais em áreas de interesse ecológico e de segurança nacional. Estas duas dimensões estão atravessadas por representações, muitas vezes, antagônicas, particularmente em virtude de uma visão cristalizada de que a natureza para se reproduzir deve, necessariamente, estar imune à interferência humana. Conseqüentemente, os direitos de grupos ao acesso aos recursos naturais renováveis e ao território secularmente ocupados, são questionados mediante uma retórica discursiva preservacionista. Mediante tais representações emerge, por exemplo, a imagem da favelização como elemento desorganizador de uma natureza una e intocável. Pretendo discutir de que modo estes dispositivos legais e discursivos proporcionam os investimentos de formas da atividade pesqueira, a partir do momento que tais grupos passam a coordenar suas ações a partir das provas e controvérsias públicas que envolvem tais grupos. Portanto, como a introdução de novas categorias, como meio ambiente, segurança nacional, sustentabilidade, etc vão interferir na reprodução social dos pescadores com a emergência de justificações ecológicas.