Resumo

O alto Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, tem seu relevo caracterizado por chapadas - áreas planas, pouco férteis e, historicamente, utilizadas para extrativismo e criação de gado na solta - e grotas - áreas férteis, utilizadas para produção de alimentos. Na década de 1970, o Estado incentivou o reflorestamento de eucalipto nas áreas de chapada como modelo de desenvolvimento na região. Assim, os agricultores familiares se viram obrigados a utilizar as áreas de grota também para criação de gado, reduzindo as áreas de produção de alimentos, intensificando o uso da terra, acarretando num processo de degradação do solo, chamado pelador. O objetivo do trabalho é analisar o conhecimento tradicional aliado a um sistema de produção sustentável e recuperação do solo (Sistemas Agroflorestais - SAFs), proposto pelo Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica, uma ONG consolidada por agricultores familiares. A pesquisa foi realizada em janeiro de 2007, em cinco municípios, por meio de entrevistas qualitativas, envolvendo oito famílias de agricultores praticantes de SAFs. Nota-se que o conhecimento dos agricultores sobre o ambiente possibilitou uma adaptação dos SAFs às necessidades de produção, alcançado pela diversidade de plantas, garantindo a recuperação do solo, conservação das águas, aumento da produtividade e colheita durante o ano todo. Isso permite inferir que o SAF, associado ao conhecimento tradicional, apresenta-se como um sistema de produção sustentável para região.