Resumo

As margens dos rios habitam as populações ribeirinhas, espaço que pode ser considerado como resultado das relações entre o homem e a natureza e sobretudo produto das relações entre homens, num processo histórico-social. A identidade destas populações está impreguinada em sua forma de conceber o espaço, de cultivo, assim, o conhecimento é fruto de uma tradição de aprendizado social e cultural. Através desta transmissão é possível a constituição e reprodução de sua identidade. A percepção política está ligada com a forma de agir dentro de seu território que se subjazem as relações sociais e os saberes acumulados ao longo dos anos que proporcionam a escolha de seu representante, pois procuram preservar o direito ao seu modo de vida e para que isso não se perca é necessário que sejam preservados os direitos de permanecerem na condição de guardiões do saber e que possam passar para outras gerações. É importante compreender as relações de poder entre os ribeirinhos e como se identificam, assim, este estudo vem sendo realizado em Jaiteua de Cima localizado no Município de Manacapuru, no Amazonas, onde se encontram quatro organizações: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Santa Isabel, Assembléia de Deus e Tradicional, que vivem em ecossistemas de várzea e de terra-firme. A percepção em torno da identidade e do poder revela que estes fenômenos que se constituem entre os ribeirinhos se configuram como integrante das lutas pela autonomia política, religiosa e econômica.