| As condições históricas de apropriação da terra e do poder no semi-árido, reforçadas pelo assistencialismo, criaram entre os camponeses uma identidade de “assistidos”, retribuindo os “favores” pela lealdade e pelo voto. Mas com o desenvolvimento das atividades da Articulação do Semi-Árido (ASA), inicialmente com o Programa “Um Milhão de Cisternas” e sobretudo com o P1+2, está se criando uma nova identidade coletiva. Hoje os camponeses que estão participando do Programa estão se tornando autônomos e orgulhosos de serem co-criadores de um novo modelo de desenvolvimento oposto ao agronegócio. Contra o paradigma da “luta contra a seca”, concretizada na construção de grandes reservatórios de água, sua distribuição por carro pipa – gerador de dependência - e seu uso para irrigação – causando danos ao meio ambiente, os agricultores familiares e suas entidades, articulados na ASA, resgatam e divulgam “tecnologias sociais” criando o paradigma da “convivência com a seca”. Um novo modelo de desenvolvimento baseado na agroecologia e no protagonismo camponês está sendo construído e uma nova identidade se fortalecendo. O texto expõe o processo metodológico desenvolvido pela ASA e seus resultados . |