| A diversidade de atores, entre os quais se identifica a maciça dos movimentos sociais, que disputam e reivindicam a propriedade da terra nas áreas centrais do chamado agronegócio, faz destas regiões um terreno fértil para o estudo da multiplicidade de concepções e práticas que, na perspectiva daqueles sujeitos, justificam o direito de acesso à terra. O objetivo deste trabalho é entender as diferentes práticas e concepções sobre direitos de propriedade e possibilidades de apropriação da terra desses agentes por meio de um estudo realizado em um assentamento, um acampamento e uma área de colonos gaúchos na região do Triângulo Mineiro. Assumindo que há uma complexidade de percepções em relação ao uso que se faz da terra e uma luta social pelo significado legítimo do direito de propriedade, da qual também participam as agências do Estado (Moura, 1988; Elias, 2003), procuro apreender o que confere legitimidade à propriedade da terra na percepção de trabalhadores, militantes dos movimentos sociais e empresários do agronegócio. O diálogo entre as concepções relativas ao direito de acesso à terra desses atores, mapeadas durante trabalho de campo, e as leituras sobre os fundamentos legítimos da propriedade, elaborados por juristas e outros teóricos, é uma segunda proposta deste estudo. |