Resumo

Este artigo visa discutir as representações de tempo e espaço em uma comunidade camponesa pertencente ao meio rural do Nordeste brasileiro, objetivando entender como as mesmas são importantes elementos de construção da sua identidade. A concepção de espaço foi considerada a partir da perspectiva de Certeau (1994), que o entende como o lugar praticado e a de tempo a partir de Leach (1974) que o entende como uma construção sócio-cultural. Estas representações são produzidas dentro de um espaço rural que se constrói através de uma relação dialética com a sociedade mais geral na qual está inserida, não podendo ser pensada Iisoladamente. (WANDERLEY, 2000) A apreensão das representações sociais do espaço, foi realizada através de uma etnografia das práticas que o produzem e as do tempo através da observação participante e relatos orais das vivências e experiências que orientam a vida naquele meio rural. Com este estudo foi possível concluir que não é possível considerar o tempo e o espaço como categorias díspares, pois estes se constroem relacionalmente, não existindo uma representação única de tempo e espaço camponês, mas, representações que são orientadas pelas relações cotidianas dos homens com a natureza e entre si, e também com outros mundos rurais, e urbanos.Estas relações são baseadas em saberes, fazeres e sentimentos que envolvem aqueles homens, sendo portanto, constituidores de sua identidade.(HANNERZ, 1997)