| Esta comunicação parte do estudo da identidade de género num contexto rural do centro-norte de Portugal (Sever do Vouga), propondo uma reflexão sobre como a “ruralidade” cria projectos identitários que valorizam a terra, mesmo em situação de mudança, quando a prática da agricultura deixou de ser a principal fonte de rendimento monetário. Tendo em conta que os meios rurais não permaneceram alheios às reconfigurações económicas, sociais e geopolíticas das esferas nacional e transnacional, sugiro que aquilo que sempre caracterizou o meio social no mundo rural é justamente a permeabilidade e flexibilidade para estratégias de readaptação às mudanças. O contexto etnográfico em estudo é maioritariamente habitado por mulheres, sendo que os homens estão emigrados ou temporariamente ausentes em trabalho assalariado. Decorrente da divisão sexual do trabalho que se verifica na família, são as mulheres que asseguram quotidianamente o trabalho agrícola e a criação de animais. Deste modo, verificámos que a relação com a terra tem, do ponto de vista da forma como as mulheres se vêem a si próprias, uma enorme relevância para a sua identidade social. Sugere-se, em suma, que a ruralidade corresponde efectivamente à forma como as pessoas percepcionam a sua vivência, sendo que esta pode passar simbólica e socialmente pela construção de um projecto e uma identidade social, familiar e/ou de género que não negligenciam a relação com a terra. |