| Nas ciências sociais e na literatura brasileira a figura do vaqueiro, do homem “rude” que lida com animais nas zonas rurais é recorrentemente tomada como objeto de análise. Câmara Cascudo, Guimarães Rosa e de certa maneira, Antônio Cândido, trataram desse “tipo humano.” Na era do agronegócio, vaqueiros assumem novos papéis. Contemporaneamente, peões e vaqueiros, além de lidarem com o gado, conhecem um pouco de genética, fazem inseminações artificiais, moram nas cidades e viajam dezenas de vezes por ano para apresentar animais premiados em suntuosas feiras de pecuária. O presente trabalho trata desses atores. Fruto de observações de campo realizadas em três exposições agropecuárias , essa pesquisa pretende mostrar como peões trabalham nesses eventos, como lidam com o deslocamento como uma constante, com o “campo" e com os novos conhecimentos e práticas da produção agroindustrial. |