Resumo

Tratar do “agronegócio” e das regiões hoje vistas como emblemáticas desse “setor” geralmente implica em pressupor e destacar (para louvar ou para denunciar) a expansão dos mercados, a modernização técnica e gerencial, bem como a grande escala das atividades e da riqueza gerada. Na pesquisa cujos primeiros resultados serão sistematizados nessa apresentação, contudo, o foco são redes de diversos tipos de “relações pessoais” que se recriam, expandem e complexificam, não em oposição às relações mercantis e gerenciais “modernas”, mas inclusive se constituindo como condições de possibilidade destas relações (e vice-versa). A pesquisa, que a princípio será realizada no Triângulo Mineiro e talvez inclua o Oeste Baiano, investiga portanto formas de sociabilidade que, nesse contexto, vão se cristalizando em relações vicinais, de amizade e sobretudo de parentesco; em conflitos, rivalidades, alianças, laços de lealdade, e assim por diante. Enfoca também as formas narrativas e os processos e lugares de construção de reputações sociais. Com base nesses focos, busca descrever algo da dinâmica, dos arranjos sociais e dos dramas que surgem no confronto entre diversas moralidades estabelecidas (como a dos colonos sulistas ou dos trabalhadores mineiros e nordestinos) e os novos arranjos sociais e morais vinculados àquilo que se apresenta, para muitos dos agentes envolvidos, como um grau inusitado de riqueza e domínio técnico.