Resumo

A reconfiguração contemporânea da noção de direitos dos índios estimula a buscar nos documentos coloniais os fundamentos históricos e jurídicos das atuais demandas por reconhecimento dos movimentos indígenas . A análise desses documentos, se conduzida de maneira a evitar uma simples busca filológica de “origens”, e sim a promover uma compreensão processual das relações entre acontecimentos e representações, mostra um panorama extremamente complexo, cuja característica histórica principal é o intercruzamento de percursos de conflitos e mediações. O comunicação visa mostrar a profundidade histórica da articulação entre a categoria “território” e os processo de etnificação, mostrando que, desde o século XVIII, a linguagem política da “territorialização” constituiu uma forma poderosa de barganha política para os grupos indígenas, na construção de uma forma de proto-etnicidade.