| De modo geral, a discussão antropológica tanto sobre campesinato como etnicidade (indígena, quilombola) tem enfocado os segmentos rurais de modo razoavelmente estanque. É muito freqüente que as narrativas antropológicas enfoquem de forma privilegiada, por um lado, grupos camponeses ou segmentos regionais e, por outro lado, grupos étnicos, quais sejam, ‘índios’, ‘quilombolas’, etc. Talvez sinal de substancialização teórica, talvez por garantir certa tranqüilidade ao ofício profissional do antropólogo, contextos e situações que evidenciam multiplicidade identitária costumam ser minimizados e simplificados de sua complexa significação etnográfica e da dimensão multifacetada de relações e redes sociais em questão. A partir de pesquisas antropológicas voltadas a diferentes segmentos rurais no Nordeste brasileiro, tenho me defrontado com variadas situações em que processos políticos de demanda territorial e de territorialização têm acarretado, igualmente, processos de ressignificação cultural e identitária. Buscarei refletir, portanto, sobre material etnográfico, historicamente produzido, sobre os processos de mobilização étnico-política e construção identitária de três situações étnicas Tremembé (Ceará) que desestabilizam, embaralham e colocam em risco representações antropológicas sobre o ‘camponês’, o ‘regional’ e o ‘indígena’. |