| A disseminação das tecnologias reprodutivas conceptivas gerou um conjunto de questões que a antropologia vem discutindo nas décadas recentes. Entre essas questões destacam-se os deslocamentos produzidos na forma como as sociedades ocidentais têm percebido a relação entre 'natureza' e 'cultura', associada à idéia de 'progresso' científico e tecnológico. Baseado em pesquisa etnográfica em desenvolvimento no Rio Grande do Sul com diferentes sujeitos que têm recorrido aos serviços públicos de saúde, discutirei diferentes compreensões de usuários, por exemplo, em relação à noção biomédica de 'infertilidade' e a noção de 'dificuldade para ter filhos'. A partir da trajetória de sujeitos que recorrem aos serviços comunitários de saúde, bem como daqueles que se submetem a procedimentos de reprodução assistida de maior complexidade, tratarei de como é feita a avaliação das possibilidades de sucesso, as noções e conhecimentos que têm acerca dos procedimentos e os dilemas éticos associados. Nesse contexto, discutirei como na trajetória de identificação e busca do serviço de saúde, a lógica e a dinâmica do discurso da biomedicina vão sendo ou não incorporadas pelos usuários. Finalmente, destacarei a forma como a idéia de ciência e tecnologia são elementos importantes nessa busca, destacando os conflitos e dificuldades na assimilação desse campo, onde as dúvidas e questionamentos do discurso biomédico convivem lado a lado com a crença na ciência e na técnica. |