Resumo

Analiso nesta comunicação como se articula o conceito de “natural” nos discursos sobre a categoria de medicamentos chamados “fitohormônios”, isto é, hormônios de origem vegetal; o universo etnografado inclui o público consumidor, marketing de medicamentos, além de médicos e pesquisadores da área. Através de mídia farmacêutica especializada, alternativas terapêuticas ditas naturais (plantas medicinais) são oferecidas como substitutos para a terapia de reposição hormonal (TRH) de origem sintética, colocada em questão após anúncio de pesquisa que alertava para sérios efeitos colaterais. Abordagens de sensibilização do público médico e consumidor para estas medicações “naturais” explicitam a idéia da oposição entre as categorias “sintético” e “natural”. O conceito de uma natureza Rousseauniana, que tende à perfeição, curadora, segura, pode ser percebido quando há uma alusão à ausência de efeitos colaterais neste tipo de medicamentos, em contrapartida ao medicamento sintético, produzido pelo homem, considerado como artificial e iatrogênico. Por outro lado, observa-se na cadeia da pesquisa de medicamentos com matérias-primas naturais, sob a luz de uma orientação mecanicista, uma desarticulação do conceito de natureza, levando a deslizamentos semânticos do termo “natural”, associados a estes medicamentos, além de uma busca pela perfectibilidade, através de processos de purificação e aprimoramento.