Resumo

A saúde e a doença, sempre foram encaradas como, ou parte de uma natureza (partindo de uma patologia biomédica), ou demarcado por uma construção sócio-cultural. Essa polariza em duas perspectivas que anunciam uma natureza suprema que “marca”, ou dá pouco valor a essa dimensão, privilegiando os “abalos” sociais decorrentes de uma “intervenção natural”, mantendo assim uma demarcação rígida entre a natureza (que não pode ser mudado) e uma cultura (que pode interferir, mas não modificar). Tendo como material empírico uma pesquisa realizada junto aos usuários de um centro de atenção ao hemofílico na cidade de Florianópolis, este trabalho busca pensar como se dá a construção do ser hemofílico pautado nas interações entre os sujeitos, as técnicas terapêuticas e os artefatos medicamentosos. Uma das questões diz respeito à relação multilateral estabelecida entre os sujeitos freqüentadores e os recursos biomédicos, sendo que os últimos assumem uma posição de ligação entre várias esferas, reorganizando questões “naturais” e inserindo pontos como a re-estruturação dos corpos – e da “natureza” – a partir da inserção de medicamento substituto do sangue. Nesse sentido, os limites entre o humano e o não humano conectam-se, possibilitando uma releitura dos sentidos naturais (do corpo e seus fluídos) construídos nessas esferas.