| O prolongamento da habitação na casa dos pais, o postergamento do casamento ou experimentação de outras formas de conjugalidade e as mudanças na inserção no mercado de trabalho são fatores que contribuem para uma visão das novas formas de transição à adultez como um “fenômeno”. Mas existem outras categorias imbricadas nesta temática. Em primeiro lugar, pensar sobre um momento visto como sendo de “transição” no curso da vida nos faz refletir sobre a divisão, ou não, deste em etapas ou fases. Em segundo lugar, coloca a necessidade de discutirem-se os conceitos de “juventude” e “idade adulta” enquanto idades da vida. E em terceiro lugar, coloca a necessidade de se pensar em “idade” enquanto categoria social, biológica e cronológica. Quando nos apoiamos nas narrativas sobre trajetórias de vida e nas classificações “nativas” sobre o tema, encontramos idéias sobre qualidade de vida, dilatação do período reprodutivo, responsabilidade, autonomia, independência e, sobretudo, a impossibilidade de se separar o “cultural” do “natural” no que tange o curso da vida e suas idades. O artigo proposto pretende refletir sobre este dualismo e a incorporação do curso da vida. As narrativas sobre trajetórias de duas gerações nos levam a pensar, por um lado, a juventude e a idade adulta como algo além de idades da vida; por outro lado, as idades da vida como sendo definidas e marcadas tanto por fatores “naturais” como “sócio-culturais”. |