Resumo

A morte é um fenômeno natural que compreende o desaparecimento do indivíduo através do interrompimento de suas funções vitais, especialmente o cérebro, o coração e pulmão. Mas a morte não pode ser pensada apenas como um fenômeno natural e como um fato individual, pois a morte é um fato social e um fenômeno cultural onde ritos e cerimônias fúnebres são organizados pela coletividade, revelando as mudanças, as permanências e as contradições de uma sociedade. Partindo deste pressuposto realizo uma pesquisa no doutorado em Antropologia da UFPE que busca compreender a atuação do mercado fúnebre na venda de produtos (jazigos, caixões, flores, etc.) e serviços (planos assistenciais, necromaquiagem, tanatopraxia, etc.) funerários. Observa-se que na numa sociedade de culto ao corpo e da busca pela eterna juventude, um corpo morto abala a representação simbólica que a sociedade estabelece com o corpo humano. Portanto, o consumo de produtos e serviços fúnebres também está intimamente relacionado a preocupação com o destino do corpo, ao medo do corpo decomposto, ao receio de ter o corpo sepultado em espaço público, de ter a sepultura violada e o corpo retirado da cova, ou mesmo de ter os restos mortais não identificados.