| Uma das principais referências utilizada entre os profissionais de saúde da biomedicina envolvidos com o tema da humanização na saúde é a de problematizar o modelo de comunicação médico-paciente vigente nas escolas de medicina brasileiras. De forma geral, pretender-se-ia substituir tal modelo por um que proporcionasse mais “autonomia” aos pacientes, de modo que as práticas médicas vinculadas a um protocolo formal, centrado num questionário fechado de perguntas e respostas, pudessem ser questionadas. Pensando em termos da reorganização da experiência de atendimento, proponho neste trabalho apresentar reflexões a partir de etnografia elaborada com um grupo de médicos e fisioterapeutas engajados num projeto piloto de humanização do atendimento hospitalar. O conceito de corpo, no caso em tela, foi primordial para compreender a proposta do grupo, uma vez que os métodos utilizados tinham como principal referência uma composição minimalista da postura corporal do profissional de saúde, relacionada a um dever ser autêntico, e de uma seqüência ritual a ser vivida com cada indivíduo em atendimento, remetendo a um conjunto de ações cuja base cosmológica é tanto o conceito de indivíduo moderno quanto percepções holistas a respeito do processo doença-cura, entre as quais figura a ampliação da capacidade sensorial, privilegiando a comunicação com os pacientes através de outros sentidos além da visão, como a audição e, sobretudo, o tato. |