Resumo

Este trabalho tem o objetivo de apresentar os resultados da pesquisa sobre a participação dos índios Tentehar-Guajajara nas questões relacionadas à saúde. Para isso, utilizo como referencia as novas políticas indigenistas de saúde, e também, algumas categorias analíticas, como nação, (KYMLICKA, 1996), diálogo intolerante (CARDOSO DE OLIVEIRA, 1998) e violência simbólica (BOURDIEU, 1998). A coleta dos dados foi realizada na Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) em São Luís – MA, na Casa de Saúde Indígena (CASAI) Guajajara localizada no interior do Maranhão, na cidade de Amarante e em seis aldeias (Juçaral, Chupe, Lagoa Quieta, Tarumã, Bacabal e Mucura) Tentehar-Guajajara que têm esta casa como referência. Nas seis aldeias pesquisadas, somente em duas encontramos a presença do auxiliar de enfermagem e em quatro detectamos o Agente Indígena de Saúde (AIS) de forma permanente. Há a presença de agentes indígenas na CASAI Tentehar-Guajajara na cidade de Amarante, o que faz com que seu papel destes AIS seja repensado, já que a PNASPI (2002), coloca que o trabalho deste indígena deve ser realizado na aldeia. Considerando as características do atendimento à saúde indígena, pudemos perceber que a CASAI funciona como um ambulatório, quando foi prevista apenas para abrigar índios que necessitam de atendimento médico. O atendimento de primeira referencia dos índios Tentehar-Guajajara da Terra Indígena Araribóia, que deveria ocorrer na Aldeia, acaba se efetivando na CASAI, alterando suas funções e criando novas responsabilidades. Os Tentehar transformam as instâncias de atendimento conforme seus interesses, indicando que mais do que participar do atendimento à saúde, pretendem gerenciá-lo.