| No contexto das relações interétnicas entre povos indígena e Estado brasileiro vêm ocorrendo o surgimento de espaços institucionais denominados conselhos. Esses organismos socioculturais vêm multiplicando-se em razão dos dispositivos legais impetrados pela Constituição Federal de 1988 e a Convenção 169/OIT que estabelecem a garantia da participação indígena na gestão das políticas públicas indigenistas. Proponho analisar dois processos de participação indígena e controle social promovidos pelo Estado: o Conselho Estadual de Educação Indígena do Estado do Tocantins e a Comissão Nacional de Política Indigenista. A análise do material está calcada na perspectiva da etnografia ecológica e política desses artefatos socioculturais baseando-me na experiência de observação e formação dos seus rituais (reuniões, intercâmbios, oficinas). Tomo, portanto, os atos de fala e performances dos distintos atores e personagens sociais que nesses espaços circulam para analisar suas performances no enfrentamento de questões éticas e morais relativas aos distintos e conflituosos processos de gestão estabelecidos entre Estado e comunidades indígenas. Nesse sentido, este trabalho visa contribuir para o conhecimento das relações entre a Antropologia como para a ação prática e o exercício profissional e político do etnógrafo em processos sociais engendrados nos campos das políticas do Estado dirigido aos povos indígenas na interface da implementação da participação e controle social indígena. |