| A Compreensão da Amazônia e dos diversos processos históricos que nela ocorreram (e ainda ocorrem) só é possível se nos esforçamos para percebê-la como uma construção anterior à sociedade nacional e sua constituição territorial e política. Para Freitas (2000), a Amazônia sai do estado de natureza com a emergência dos processos de globalização econômica e política. O mercantilismo e o absolutismo monárquico que inseriram a região no jogo de forças internacionais deixaram inúmeras marcas dessa interferência. Desde o princípio, a sociedade colonial delimitou aporias e/ou oposições polares do tipo oriente/ocidente, absolutismo/república, reforma/revolução dentre outras. De um lado, a fronteira amazônica engendrou processos de imposição de culturas e costumes europeus, de outro o processo de resistência das etnias para enfrentar a dominação colonial. No contexto destas resistências, os indígenas Miranha da Aldeia Cajuhiri Atravessado, localizada no município de Coari, Estado do Amazonas, colocam-se diante de um grande projeto desenvolvimentista: o Gasoduto Coari-Manaus. Trata-se de um projeto que afetará diretamente mais de 23 comunidades e Terras Indígenas e que conta com apoio do Estado brasileiro. Neste sentido, este artigo tem como principal objetivo problematizar: de que forma se deu a participação do movimento indígena neste projeto? De que forma está representanda a Aldeia Cajuhiri Atravessado? As medidas mitigatórias para estes indígenas foram pensadas a partir da realidade deste grupo? Estas medidais de fato são sustentáveis? |