Resumo

A partir da Constituição de 1988, em que as especificidades e organização sociocultural dos povos indígenas foram reconhecidas, e a saúde foi garantida como um direito de todos e dever do Estado, as políticas públicas desenvolveram-se no sentido de serem mais democráticas e participativas. Apesar destas garantias legais e da mobilização social dos povos indígenas, observa-se que muitos são os desafios para a efetiva participação indígena na formulação e implementação das políticas de saúde e saneamento. Pretende-se, a partir da construção de um diagnóstico sócio-ambiental integrado e participativo na área indígena Xukuru do Ororubá, situada em Pesqueira/PE, demonstrar a importância do uso desta prática na formulação, planejamento, produção da informação, avaliação e execução das ações de saúde e saneamento, respeitando a realidade local e contemplando as especificidades étnicas. O estudo contou com a descrição das condições sócio-sanitárias dos índios Xukuru a partir dos bancos de dados disponibilizados pela Funasa, da observação participante e realização de oficinas. Os problemas foram organizados segundo a Matriz de Reprodução Social, proposto por Samaja. Buscou-se identificar os elementos simbólicos relevantes para a compreensão da relação étnica com o ambiente. Os ambientes saudáveis, vislumbrados pela Política Nacional de Saúde, só serão possíveis quando a participação indígena, em todo o ciclo de formulação, execução e avaliação das intervenções, for de fato garantida.