Resumo

A participação de mulheres indígenas na esfera pública do Estado Nacional é bastante demonstrativa de que a ampliação da participação de atores indígenas na esfera pública do Estado nacional, após a Constituição de 1988, não significou expansão de sua força sociopolítica na mesma proporção da criação desses novos espaços. Se, nas últimas décadas, políticas de gênero foram adotadas no âmbito estatal (incluindo aqui cooperação técnica de governos estrangeiros) e também no campo de atuação não-governamental; por outro lado, mulheres indígenas ainda reclamam de falta de apoio quanto à sua participação nas decisões e execuções de ações indigenistas. Esta apresentação oral propõe-se, por meio de dados etnográficos do Alto Rio Negro, refletir sobre o lugar atual das mulheres indígenas como agentes de diálogos nas políticas indígenas e indigenistas e sobre suas práticas participativas nas esferas públicas das sociedades indígenas e não-indígenas e do Estado nacional.