| No contexto das relações entre povos indígenas e o Estado brasileiro, o apoio e a execução de projetos tem se configurado como uma realidade de grande relevância. A partir da Constituição de 1988, por um lado observou-se a fragmentação do indigenismo nacional, com a quebra da centralidade da FUNAI e a disseminação de ações por outros ministérios e órgãos, entre elas a formação de programas de financiamento à iniciativas e projetos indígenas (PDPI e Carteira Indígena no MMA, Vigisus / FUNASA, Prêmio Culturas Indígenas do MINC, PPIGRE do MDA etc). Por outro lado, houve a emergência das organizações e o fortalecimento do movimento indígena, notada, entre outros aspectos, pelo crescente acesso a recursos e à execução de projetos. O campo dos projetos indígenas, portanto, propicia ricas oportunidades de exercício de interculturalidade, com todas suas contradições, encontros e desencontros, dificuldades e oportunidades para o fortalecimento da participação indígena como agentes de interlocução com o Estado brasileiro. Este trabalho apresentará reflexões sobre esta complexa relação, na perspectiva de um antropólogo que, como assessor técnico do PDPI / MMA, participa da interface entre a lógica do Estado e a indígena através da execução de projetos. Esta reflexão será conduzida através de uma breve etnografia do projeto “Resgate da festa do Kokô”, apoiado pelo PDPI / MMA e executado pelos Kayapó da comunidade do Kriny, localizada na TI Kayapó no sul do Pará. |