Resumo

A realidade do movimento indígena no Brasil criou uma situação que a Antropologia Social "clássica" em grande medida falhou em compreender e analisar. No mesmo sentido, o dito "paradigma da identidade", ou Escola Continental no âmbito da teoria dos movimentos sociais, de ampla popularidade entre os sociólogos, tampouco foi capaz de explicar a especificidade das formas assumidas por esse movimento étnico (por conta de sua ênfase excessiva no "sentido" dos movimentos). Este ensaio defende o recurso tanto a uma abordagem de fato multidisciplinar, que seja também capaz de contemplar tanto a teoria dos processos políticos, uma vertente de análise dos movimentos sociais prevalecente na América do Norte, quanto, mais especificamente, à análise dos movimentos urbanos: estruturas de mobilização, quadros de ação, repertório de ação política e estruturas de oportunidade política. Em especial, a busca por uma estrutura de mobilização eficaz acaba por se revelar decisiva para a história do movimento indígena no Brasil, somente podendo ser compreendida ao reconhecer o caráter fluido e “predatório” da cultura.