Resumo

A participação indígena em comissões e programas de governo é hoje uma realidade. Mas que tipo de participação é essa? Nos últimos anos as organizações indígenas têm se relacionado basicamente de duas formas frente ao Estado Nacional. A primeira delas é atuando como agências implementadoras, como é o caso dos convênios com a FUNASA. A outra, através da participação em comissões que analisam e direcionam a implementação de ações ou mesmo a política indigenista como um todo. Essa relação, no entanto, parece padecer de problemas sérios tanto em um caso quanto no outro. Essa comunicação pretende esmiuçar os principais desses problemas, que dizem respeito, por um lado, à forma como tais relações são construídas, na lógica da cooptação que sempre presidiu a ação do Estado junto à umas poucas lideranças, ou na de uma participação apenas legitimadora do processo, ou ainda colocando o movimento indígena em xeque através do dilema entre fazer o papel do Estado ou deixar como está. Por outro lado, esses problemas refletem também as inconsistências que vemos na ação política do movimento indígena, entre as idéias que a sustentam e sua prática. Por fim, procuraremos apontar os principais desafios, tanto do Estado quanto do movimento indígena, na construção de uma efetiva participação indígena nas políticas públicas.