| Nos últimos 10 anos os povos indígenas do Brasil mergulharam em experiências complexas no campo das políticas públicas. Esta apresentação pretende desenvolver abordagens preliminares sobre essas experiências que apontam em dois sentidos divergentes e antagônicos do povos indígenas na relação com o Estado e com as políticas públicas. Um é aquele que concebe a possibilidade de transformar as políticas públicas governamentais como praticáveis segundo as lógicas e racionalidades socio-culturais dos povos indígenas, na media em que os povos indígenas podem fazer, a seu modo, o papel do estado, inclusive a gestão de recursos e programas. Outro é aquele que concebe as políticas públicas como responsabilidade do Estado e dos governos e caberia aos índios o controle social e a participação em todas as fazes e espaços de tomadas de deciões e de execução, para que os direitos indígenas sejam respeitados e garantidos. As experiências acumuladas demonstram que assumir as tarefas do Estado, transformando as organizações indígenas em agências implementadoras de resursos e projetos, fragiliza por demais os processos de autonomia dos povos indígenas na medida em que aliena as lideranças indígenas nos problemas de gestão administrativa e financeira dos projetos que tentam executar ainda que com as melhores intenções possíveis. |