| O que a recusa de uma etnografia junto a uma equipe médica, com a justificativa de “não ser ético”, revela sobre o modo de estabilização de humanos e não-humanos dentro desse coletivo? Tema central dos protocolos de pesquisas na área biomédica, a ética vem sendo utilizada como categoria transcendental que com a instituição da resolução 196/1996 institui o CONEP e impôs os CEP (comissão de ética em pesquisa) em todas as pesquisas ligadas a seres humanos. Tal fato gerou estranhamento entre as áreas biológicas e as das ciências humanas, uma vez que como defende Luis Cardoso de Oliveira (2004), existe uma diferença entre a pesquisa em seres humanos – a da área biomédica – da pesquisa com seres humanos – a das ciências sociais. Se não colocarmos um divisor entre teoria e prática, o material e o imaterial, como esses pesquisadores se relacionam com essa categoria tão mal delimitada que se denomina ética? Seguindo as provocações de Bruno Latour (1994), esse parece ser mais um desses conceitos – assim como o de natureza e sociedade - que ao invés de prover uma explicação, devem ser eles próprios explicados. Esse trabalho faz uma etnografia dos discursos e práticas médicas quando essas versam sobre a ética em pesquisa médica antes dos mesmos serem "purificados". Levando a sério e tratando do mesmo modo o dito e o escrito, o oficial e o não-oficial, a teoria e a prática, descreveremos como esse coletivo relaciona-se com essa categoria não-humana e não-coisa em sua composição. |