| Considerando temas como arte e loucura, esta pesquisa tem a intenção de conectar acontecimentos que suscitaram no “aparecimento” de Arthur Bispo do Rosário como importante referência para discussões que vão da psiquiatria à arte contemporânea. Nossa proposta não é a de retratar a trajetória de vida e obra de Bispo do Rrosário, mas traçar uma cartografia que busque pontos de encontro na trama que entrecruza seu surgimento neste debate. A questão é averiguar como Bispo, diagnosticado como esquizofrênico-paronóico pela psiquiatria da Colônia Juliano Moreira (RJ) e internado por cerca de 50 anos, teve suas obras – ditas por ele como missionárias – mobilizadas como inovadoras composições em um novo campo de visibilidade: a arte contemporânea. Em outras palavras, nosso interesse é buscar pontos de relação entre estes dois discursos que encontraram em Bispo do Rosário um interesse comum em verdades distintas: sendo, suas obras, delírio para a psiquiatria e criações artísticas para críticos da arte contemporânea. Pretendo descrever o caso Bispo do Rosário por seus diversos entremeios, sem, contudo rebaixar um pólo crítico ao outro (caminho inverso ao que explica Bispo artista opondo a psiquiatria ou vice e versa). Levaremos, para isso, em consideração, ao menos, três “Bispos”: o Bispo louco, o Bispo artista e o Bispo missionário, que tem por finalidade julgar os vivos e os mortos, mas como ele mesmo dizia: “isto é pra quem enxerga, pois pra quem não enxerga não dá pé”. |