Resumo

A Ciência é nosso mito, um dos controles de nossa invenção cultural. Este trabalho é um breve relato sobre parte deste mito, em particular sobre a produção cientifica de um grupo de pesquisadores auto-denominados Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos (GEMM-Lagos). Nesta exposição pretendo demonstrar como relações de consubstancialidade, entre humanos e cetáceos, vem sendo acionadas pelos pesquisadores de forma a vascularizar sua produção cientifica e transformá-la em uma zona indispensável de troca entre ideologias e ciências. Para tanto, apresento uma etnografia que transita da captura de animais encalhados em praias locais, até a apresentação dos dados obtidos nestes corpos em audiências públicas. Um processo que desloca os cetáceos para a posição de símbolos-chave de mobilizações ambientalistas, epitomizando em seus corpos tudo que parece estar errado na relação da humanidade com meio-ambiente.