| O presente trabalho se propõe a refletir, no contexto das terras baixas, sobre a idéia de que a arte indígena engloba processos de transformação, metamorfose, manutenção e renovação cosmológica. Assim, a arte se apresenta como um meio de administrar as relações entre humanos e não-humanos. A arte é pensada também como um terreno de convergência entre os diversos campos da experiência e da ação – tais como ritual, doença, política, moralidade, entre outros. Nesse viés, retomamos a teoria da agência de Gell (1998), que trata a arte como um sistema de ação, em que a natureza do objeto é função da matriz social-relacional no qual é inserido. Tais questões serão abordadas a partir de dois casos etnográficos tais como apresentados pelos etnólogos Els Lagrou e Aristóteles Barcelos Neto, respectivamente: os Kaxinawa, um grupo de língua pano, que habita o Estado do Acre, no Brasil, e o leste peruano; e os Wauja, um grupo de língua aruak, que habita o Alto Xingu. |