| Este trabalho deriva da pesquisa desenvolvida no pós-doutorado, que consiste em uma primeira abordagem de como se construiu, a partir do início dos anos 1970, no Brasil, um novo campo profissional: o da ultra-sonografia obstétrica. Baseamo-nos em cinco entrevistas com ‘pioneiros’ no uso desta tecnologia no país. Inicialmente considerada discutível no acompanhamento prenatal, sua penetração no meio médico ampliou-se acentuadamente no campo do diagnóstico por imagem. De acordo com Latour, “[A] construção de fatos e máquinas é um processo coletivo”. Assim, consideramos que estudar como foi introduzido o ultra-som no Brasil permite-nos abrir a ‘caixa-preta’ do ultra-som, desde o seu início no país, e compreender a multiplicidade de fatores que produziu a popularidade desta tecnologia na gravidez. Esta história dos primórdios do ultra-som no Brasil está organizada em torno de tópicos. que emergiram das entrevistas, na medida em que não se pretendeu construir uma história factual. Eles servem como um ponto de partida para uma reflexão sociotécnica e evidenciam a enorme diversidade e heterogeneidade de vetores constitutivos do processo de expansão e consolidação do ultra-som como uma tecnologia ‘adequada’ para o acompanhamento pré-natal, mesclando agentes humanos e não-humanos. Ambos os processos ocorrem no mesmo espaço e tempo, interagindo dinamicamente. Os tópicos colocados em evidência articulam os dois processos de modos distintos, assim como modelam-nos diferentemente. |