| A temporalidade é uma dimensão inescapável de qualquer prática social e há nos diferentes mundos e esferas de atividades atitudes diversas com relação ao tempo. Segundo Ingold, a antropologia, ao se deparar com as diferentes paisagens temporais, tende a opor o modo ocidental de lidar com o tempo – tempo do relógio, impessoal, linear, calculável – a outras formas de temporalidade não-ocidentais – não-lineares, orientada pelo ritmo das coisas e das tarefas a serem realizadas. Seria, então, o horizonte temporal do laboratório, essa instituição tão ocidental, exclusivamente dominado pelo relógio? Observando a prática de cientistas e pesquisadores torna-se bastante difícil sustentar tanto esta oposição, quanto a idéia de que há um domínio pleno de uma única forma de temporalidade. Neste trabalho pretendemos mostrar como – em um laoratório de pesquisas com células-tronco – diferentes horizontes temporais se articulam, se alinham e desalinham nas associações que se formam entre agentes humanos e não-humanos. Há o ritmo dos equipamentos e das céluas, dos animais e das teses, estes tempos não são necessariamente controláveis, nem medidos na escala do relógio e do calendário, o que acontece no laboratório depende da articulação temporal entre entidades heterogêneas e o seu resultado nem sempre é bem sincronizado, pois tratamos aqui de procedimentos que ainda não estão estabilizados e, portanto, mais sujeitos a dissonâncias rítmicas. |