| A comunicação baseia-se no resultado de pesquisa realizada entre 2004 e 2005 sobre a tramitação do Projeto de Lei da Biossegurança no Congresso Nacional brasileiro. Tal legislação visou regular a pesquisa e comercialização de organismos geneticamente modificados (OGMs) e a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas (CTEHs) no país. Originalmente realizada dentro do escopo da teoria do ator-rede (ANT), em especial conforme delineada por Latour em seu Políticas da Natureza, a análise do material empírico posteriormente suscitou importantes questões a serem colocadas para a própria teoria. Em especial, o lugar (cosmológico e prático) central do livre-mercado e da ideologia do progresso na composição da rede que deu forma final às regras para OGMs, e, no caso das células-tronco, uma hierarquização interna à categoria do "humano" guiando a liberação parcial de embriões excedentes para a pesquisa terapêutica com CTEHs, parecem sugerir a necessidade de um diálogo maior entre a ANT e outras vertentes teóricas, por exemplo, a economia política e estudos sobre subjetividade e a noção de "pessoa". A comunicação traz uma tentativa de tal diálogo no último caso, onde um aprofundamento histórico e bibliográfico (embora preliminar) em torno das noções de "indivíduo", "vida", e "humano" mostrou-se sugestivo para refinar a compreensão teórica sobre a problemática do uso de embriões humanos na pesquisa. |