Resumo

Esta comunicação busca apresentar uma breve reflexão sobre modalidades de agência que emergem da relação entre pessoas e coisas, isto é, humanos e não-humanos, a partir de um trabalho de campo que está sendo realizado em São Romão, município situado às margens do rio São Francisco, região norte de Minas Gerais. Traço considerações sobre a agência a partir da constituição de três domínios do social que se inter-relacionam no trabalho de campo que venho desenvolvendo: a política, a religião e o trabalho. A constituição de tais domínios parece conectada ao relacionamento não só dos indivíduos entre si, mas também com a sua associação a objetos de trabalho (canoas, machados, redes, etc.), de culto (imagens religiosas, bandeiras de santos, instrumentos musicais, etc.), substâncias etílicas, elementos da natureza (ciclos de chuva e seca, as ilhas, o rio, etc.), documentos e registros legais (certidões de propriedade, registros de nascimento, sentenças judiciais, etc.), entidades sobrenaturais (espíritos, caboclo d’água, etc.), entre outros. A reflexão proposta busca dialogar com as potencialidades e limites de uma certa teoria da agência contida na obra de Bruno Latour, particularmente aquela construída no debate sobre o fetichismo, contrastando-a com o material etnográfico obtido.